Criação com Apego, ou Attachment Parenting

por Camila Goytacaz em 23/05/2012

Quando comecei a praticar attachment parenting, não sabia que tinha este nome. Partiam de mim algumas atitudes instintivas de querer ficar mais próxima do meu bebê, colocá-lo na cama, amamentá-lo por mais tempo e em livre demanda, carregá-lo comigo para todo canto, atender a seu choro imediatamente. Mas, inexperiente e pouco informada a esse respeito que era, ao contrário de me sentir bem, sentia mesmo era culpa por minhas atitudes “apegadas” demais ao pequeno ser. Quando me diziam “ele só quer você” ou “ele é muito apegado” ou “este choro é safadeza dele, não é nada” soavam como acusações, quase uma condenação, como se não estivesse educando ou criando meu filho para a independência, para o mundo, do jeito certo. Em seu primeiro mês de vida, atordoada pelos conselhos de todos, cheguei a recriminar meu marido que gostava de dormir com o bebê em seu peito: “dizem que deixa mal-acostumado” e “não está confortável, o berço é melhor” foram os argumentos que, hoje eu sei, saíram da minha boca apenas repetindo, ecoando o que ouvia por aí, sem que no fundo, no coração, eu acreditasse.

Mas mesmo com culpa e sem muita razão, na prática tudo começou a fluir melhor quando começamos a deixar o apego rolar livremente. O menino passou a dormir assumidamente com a gente e logo todos dormiam melhor e acordavam felizes. Com o bebê no sling, encontrei a liberdade para sair, fazer e acontecer. Fiz amizades e me dei alforria: nada de ficar em casa, amamentar às escondidas ou seguir manuais. Abdicar de coisas como jantares ou viagens para poder estar com meu filho eram muito mais prazerosas do que sacrificantes. Enquanto ele mamava no peito, até quase dois anos, não passamos uma noite separados. Ele precisava de mim e eu estava disposta (e feliz) em estar ali para ele. E foi com tudo funcionando bem que então conheci, por meio da Bela, o Attachment Parenting (termo traduzido no Brasil como Criação com Apego). Descobrir que o que fazíamos tinha nome, tinha lógica, tinha milhares de adeptos no mundo todo e, principalmente, tinha benefícios emocionais comprovadíssimos foi um bálsamo para nossa família.

Eu e meu marido encontramos mais segurança e mais propriedade para sustentar nossas ações e nosso estilo de vida, sabendo que era nada mais do que o simples deixar o instinto paternal e maternal fluir livremente, sem medo de dependência ou apego em excesso. Ao encontrar informação, aprender sobre as razões do choro e como lidar com ele, sobre os padrões da velha e da nova mãe, concluímos que amor nunca é demais, colo nunca é ruim e que, quanto mais acolhermos, mais livres se tornarão as crias. Hoje nosso filhote já tem quase quatro anos e é um menino com bastante independência para sua faixa etária. Dorme na casa dos outros sem problemas e faz quase tudo sozinho. É seguro, muito sociável, feliz e sim, muito apegado. Foi graças ao sucesso que tivemos acertando (quase sem querer) com o Pedro Luis que agora, com o nascimento de nossa filha, nos sentimos completamente à vontade em seguir a mesma educação do apego, mas desta vez, sem culpas. E que ninguém ouse falar a este papai que não pode dormir colado na pequena.

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11 comentários

  1. simone disse:

    E é uma delicia ne, vamos combinar… nao temcoisa melhor do que ser acordada.com chutinhos por um nene que quer mamar, ao inves de acordar com seu choro vindo.de.outro comodo da casa. e eu tbm fiz muita coisa desse attachment parenting sem nem ter ideia de que isso tinha nome. pra mim isso era seguir meus instintos, aproveitar cada minuto ao lado da pequena. ja ouvi muito que ela precisaria se acostumar a ficar sozinha ja que logo voltarei a trabalhar e n poderia ficar com ela… mas isso me soa tao esquisito… poxa ja que nao vou poder ficar c ela o tempo todo, entao que nao fique nunca? e isso sem falar na cama compartilhada… As pessoas sempre tem algo a dizer e uma professia de que vou sofrer qnd n quiser mais ela dormindo conosco… mas eu acho isso taaaao particular. e eu tenho certeza que com carinho e cuidado vamos continuar assim ate quando estiver bom pra todo mundo…

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  2. Cibelle disse:

    Realmente passei por quase tudo descrito aqui…minhas meninas dormiram muito no peito do meu marido e enrolavam seus dedinhos nos cabelos do seu peito para se acalmarem e dormirem literalmente grudadas a ele…existia mais culpa na primeira filha do que na segunda…Não conhecia esse termo, nem essa teoria…mas conhecia o sentimento de felicidade extrema ao estar sempre junto… hoje ainda adoro quando vejo minha cama repleta de filhos “dormindo”, um de 18, uma de 11 e uma de 6, junto conosco…É claro que neste caso depois de umas horas cada um recorre a sua própria cama…Mas o sentimento é indescritível!

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  3. disse:

    Camila!!!
    Que lindo seu texto!
    Eu super concordo com tudo o que você disse, e bem que eu gostaria tb de ter sido da turma do apego, rsrs, mas como a Luanda disse (no facebook), a nossa noite sempre fluiu melhor quando cada um dormia em seu quarto.

    O Gael teve muita cólica até os 3 meses, e chorava das 7h as 23h sem parar, aí sim, eu grudava nele, e ficava acalentando até ele parar, quando às 23h ele parava, colocava no bercinho, e aí ele dormia a noite toda, só acordando pra mamar uma única vez. Mas durante o dia ele dormia bastante no sling tb, e pra onde eu ia, ele ia junto. Era bom saber que ele tava grudadinho ouvindo as batidas do meu coração, um som tão familiar pra ele.

    Quanto à amamentação por livre demanda, eu tb tive pouca produção, e não dava conta. O bichinho mamava de 3 em 3 horas ou 2 em 2 e eu ficava exaurida.
    Criamos naturalmente um esquema cíclico “dorme, mama, brinca”, que uma amiga minha disse ser o sonho de consumo dela, rsrs, mas isso aconteceu naturalmente, sem seguir nenhuma cartilha, foi nosso instinto, necessidade nossa de ter uma rotina, dava segurança pros 2, pros 3.

    Acho bonito quando cada família encontra seu próprio caminho, e segue nele, sem se deixar influenciar por críticas e conselhos às vezes indesejáveis. . Ninguém melhor que nós mesmos pra descobrir o que é melhor pra nossa família.
    Talvez meu próximo filho precise de mais apego, ou não, a gente tem que abrir o coração sempre pra escutar e entender o que eles precisam. E viva a diferença e a personalidade de cada um!!!!

    Beijão!!!!

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  4. disse:

    Opa, eu quis dizer que ele tinha cólica das 19h as 23h !!!!

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  5. Fernanda disse:

    Eu e meu marido também nos sentimos pressionados por familiares e amigos a não fazer o que queremos: curtir ao máximo nosso filho que hoje está com 1 ano e 2 meses.

    Dormimos no quarto dele, ele mama até hoje livremente, está sempre se aninhando no nosso colo, viajamos com ele para todos os lugares e nunca tivemos problemas. Ano que vem Londres e Paris com ele e todos acham um absurdo levar o bebê. Absurdo seria eu deixar o meu bebê 15 dias sem leite, sem colo de mãe, sem colo de pai. Eu não consigo, não agora. Acho que morro se tiver que fazer isso…

    Acredito que nosso filho seja tão carinhoso e tranquilo porque sabe que nós o amamos demais e fazemos questão que ele saiba disso. E não mais deixamos outras pessoas interferirem na nossa relação.

    Quando permitíamos interferências no passado, o nosso bebê ficava irritado, chorão e chegou a abalar o casamento. Foi só voltarmos ao nosso antigo estilo de viver, com o instinto maternal e paternal que voltamos a ser uma família amorosa, unida e feliz.

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  6. Ana disse:

    * Olá!!! =)
    Sou completameeente adepta dessa DELÍCIA!!! Mas NÃO sabia que tinha nome, rs!!!
    AMEI!!! E a pequeniníssima quantidade de culpa jááá sumiu!!! ;)

    OBRIGADA!!! E FELICIDADES à Família!!!

    Beijos. *

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  7. Monica disse:

    Quase chorei ao ler o texto… nunca gostei de deixar a minha filha chorando, ao contrário do que os outros dizem para fazer: “deixe chorar um pouco, porque é manha…”. Minha filha dormia com a gente sempre que queria… Confiei em meus sentimentos, intuição e “desafiei” conselhos da mãe, sogra, Supernanny… Hoje minha filha tem 3 anos e uma garotinha incrível… carinhosa, inteligente, independente, sociável… E foi lindo descobrir que essa forma de lidar com os pequenos tem nome e tem muitos adeptos…

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  8. Estela disse:

    Meu baby de 6 meses é quem nos esta fazendo seguir esse conceito. Eu gostari q fosse diferente. Meu parto foi normal e amamentei exclusivo no peito ate dias atras. Ñ sabe nem sugar mamadeira nem chupeta. Acorda diversas vezes durante a noit, mesmo agora q dorme entre nos. Esta cada vez mais grudado e tenho do pq vou voltar ao trabalho. Ficara col o papai e vovo, trabalho so pela manha. Mas agora so aceita dormir em matilha e isso me preocupa….

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  9. Puxa vida!
    Me senti narrando esse texto! Total identificação e sintonia!
    Que alívio ler tudo isso! :D
    Como eu gostaria deter sido criada assim! Hoje, dou aos meus filhos tudo o que não tive! E também nem sabia que já tinha nome! :D

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  10. [...] Criação intuitivaExistem alternativas para as palmadas e para o cantinho da disciplina também.  [...]

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