Criação com Apego

por Flávia Penido em 23/05/2012
Maternar é gostoso e faz bem!

Não vou dizer que foi sempre um mar de flores, maternar, não foi, não. Sendo mãe de três filhotes, tive muita coisa para experimentar. A gestação traz alguns incômodos no corpo, em seguida os desafios do parto, depois vêm os incômodos no pós-parto, e tem as dificuldades de amamentar. A verdade é que a maternidade trás um monte de coisas novas na nossa vida, vamos aos poucos entrando nesse novo mundo. A cada filho que tive, algum tipo de dificuldade. Com um, foi o parto;  com outro, foi a amamentação; com outro, as cólicas, e por aí vai uma lista! Tive noites sem dormir, muitas, mesmo! Parecia que nunca iria acabar aquele cansaço interminável. Houve noites em que chorei. Era bom, depois de chorar, eu e o bebê nos sentíamos aliviados. Mesmo nessas noites solitárias, essas dificuldades me pareciam parte do desafio da maternidade, nada mais que isso.

Aos poucos fui descobrindo atitudes que foram facilitando muito minha vida de mãe.

Minha primeira filha não dormia muito bem. Foi usando o sling, esse carregador de bebê que o deixa bem grudadinho no nosso corpo, que eu conseguia ir fazendo minhas coisas: amamentava ela ali mesmo, e assim ela não acordava, dormia bem melhor e eu tinha minhas mãos livres.Ela só passou a dormir bem quando eu desisti do berço e passei a deixá-la dormir comigo na cama. Meu marido acabou achando gostoso esse ninho que fazíamos. Quando ela nasceu, fazia muito frio,  foi muito bom não ter que sair da cama para dar mamar!  Ficava ali mesmo, na cama quentinha, e tudo fluía melhor. Dormíamos muito melhor do que quando eu tentava deixar ela no berço e tinha que  levantar a cada vez para dar mamar. Claro que tomamos alguns cuidados para que ela ficasse segura, eu li algumas coisas a respeito para ficar mais tranquila quanto a isso.

O engraçado foi descobrir, anos depois, que o termo para essas atitudes é Criação com Apego, tradução de Attachment Parenting. Existem muitos livros sobre Attachment Parenting, que falam da importância de se preparar, na gestação, para o parto, da importância da amamentação, de responder às demandas do bebê de forma consistente, da cama compartilhada, do contato físico com os bebês e do uso dos carregadores (slings), da importância da educação positiva - são ferramentas que servem para que o vínculo com nossos bebês e filhos seja bem estreito, forte, saudável e poderoso.

Não acho que todas nós devemos fazer tudo isso como se fosse um manual, ou um modelo a seguir. Ao contrário: o importante é o lado intuitivo dessas atitudes.Nós apenas vamos nos dando conta de que essas ferramentas contribuem muito para uma relação saudável com os filhos,  ainda mais quando trabalhamos fora e temos essa correria da cidade impregnada em nossas vidas e relações. Para mim, essas atitudes foram acontecendo naturalmente, e a cada filho eu aprendia um novo “macete mamífero”, por que foram atitudes que facilitavam muito o cotidiano com os filhos. Pode acreditar, facilita mesmo! Deixa a vida mais suave, parece que o relacionamento com o bebê flui melhor, nos sentimos, dia a dia, mais confiantes.A chegada do bebê é para bagunçar nossa rotina e quebrar nossos paradigmas mais absolutos.

Vou te confessar aqui: quebrei muitos paradigmas, eu tinha montes de modelos da mãe que eu seria, e fui aos poucos aceitando que não há modelo a seguir, nem aqueles que a minha mãe transmitiu, nem aqueles que são o oposto dela. O único caminho na maternidade é um caminho próprio a nós mesmas, seguindo nossa intuição.

É necessário muito empenho e dedicação para sermos mães contemporâneas.

Hoje as minhas crianças estão crescendo e vejo que esse espaço emocional meu, dedicado a eles, foi super importante!  Na verdade, ainda é,. Eles precisam da minha atenção sempre. Mesmo trabalhando, me esforço para tornar nossa convivência saudável, crio espaços de troca, procuro ficar conectada a eles. Claro, tem vezes que perco o pé, mas não vou ficar parada me culpando, nem me queixando, vou fazer melhor na próxima vez.

É um esforço que acaba sendo muito gratificante.

Ah, tem sim muito prazer na maternidade! Puxa, como não? Amamentar, por exemplo, no começo, pode ser doloroso, pode complicar a vida, mas quando esse começo deslancha, quanto prazer!! Ter aquele bebezinho ali, olhando para mim,  aquelas mãozinhas mexendo em meus cabelos, seu cheirinho de leite e aquele jeitinho que eles têm de mostrar para todo mundo que eles querem é o peito mesmo. Ai que saudades, disso!!

Acordar de manhã com aquele blablabla de bebê feliz, olhar para ele e receber aquele sorriso lindo de volta. Ah! esse sorriso…sorriso que levamos conosco ao trabalho, no transito louco da cidade, sorriso que nos leva a mover montanhas em nossas conquistas diárias.

Quando minha filha dança, quando meu filho toca uma musica, quando a menor faz suas primeiras descobertas nas letras, cada conquista deles…miríades de momentos em que me sinto feliz em tê-los na minha vida. Hoje a cama amanhece quase sempre sem filhos por perto e tenho sentido falta daquelas yogas matinais com um pé na cara outro na barriga, sem saber qual é de quem. Eles crescem e querem seus espaços. Nada mais natural e saudável do que eles aos poucos irem saindo do ninho. Com as próprias forças e as próprias pernas, ficam mais suaves os primeiros vôos. Não tem mais ninguém mamando, ou sendo carregado no sling também não, todos têm sua hora de voar.

Com certeza, filhos dão muito trabalho, precisa se doar para criar os filhos, mais ainda, para educá-los; mas ninguém disse que ia ser fácil, não é mesmo?

Vamos combinar que deixar os filhos serem criados inteiramente por terceiros, pela televisão, internet ou que for, sem se envolver, é bem mais cômodo. Chegar em casa cansada do trabalho e não me importar em dar um tempo para os filhos, dar qualquer comida enlatada, e ligar a televisão e deixar eles plugados me custaria muito menos energia emocional…

mas aí, pensa direitinho: para que tivemos filho mesmo?Precisamos nos ligar no prazer em maternar! E para você, onde prazer e esforço também andam junto? Maternar é gostoso para você?
Aguardo seus comentários :)

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3 comentários

  1. disse:

    Bom, por aqui o maternar ainda está sendo construído. Ainda estou tentando me livrar da culpa quando erro. Aprendendo…
    Adorei seu relato! Beijos

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  2. carolina disse:

    quanta beleza nesse relato! Vc transmitiu os sentimentos da mamãe com seu bebê da forma que sentimos mesmo… o sorriso, o amor, os aprendizados!! Adorei quando fala quando o que ele quer é o peito mesmo, e o blablabla matinal..
    Parabéns!

    Tenho uma bebê…e a cada dia sinto que foi um presente de Deus!!

    Obrigada!

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  3. LESSANDRA disse:

    Maternar pra mim é um desafio que eu amo. É meu combustível hj e torna a minha vida preto e branca mais colorida. Adorei seu relato me reconheci nele. Tenho 32 anos e estou no dilema do segundo filho seus posts me deixam cada vez com mais vontade de ser mãe de novo, mto bom!

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