Não deixe seu bebê chorando!

por Josie Zecchinelli em 11/05/2010

bebê chorando

No site Aleitamento.com encontrei este texto, datado de março de 2005, sobre a importância de responder ao choro do bebê e os malefícios que a prática de deixar o bebê chorando até a exaustão podem causar aos pequeninos. Segue o texto na íntegra:

Movimento Internacional Não Deixe O Seu Bebê Chorando!

Homens e Mulheres, pesquisadores e profissionais de saúde que trabalhamos em distintos campos da vida e do conhecimento, mãe e pais preocupados com o mundo em que nossos filhos e filhas vão crescer, cremos que é muito necessário nos manifestarmos.

Concordamos que é frequente que os bebês de nossa sociedade ocidental chorem, porém não é certo que “seja normal”. Os bebês choram sempre por algo que lhes produz mal estar: sono, medo, fome, frio, calor… além disso, da falta de contato físico com sua mãe ou outras pessoas do seu entorno afetivo.

O choro é o único mecanismo que os lactentes tem para nos comunicar sua sensação de mal estar, seja qual for a razão do mesmo; nas suas expectativas, no seu continuum filogenético não está previsto que este choro não seja atendido, pois não tem outro meio de avisar sobre o mal estar que sentem, nem podem por si mesmos tomar as medidas para resolvê-lo.

O corpo do recém nascido está desenhado para ter o seio materno tanto quanto necessita, para sobreviver e para sentir-se bem: alimento, calor, apego; por esta razão não tem noção da espera, já que, estando no lugar que lhe corresponde, tem a seu alcance tudo que necessita; o bebê criado no corpo a corpo com a mãe desconhece a sensação de necessidade, de fome, de frio, de solidão, e não chora nunca. Como afirma a norte-americana Jean Liedloff, na sua obra The Continuum Concept, o lugar do bebê não é no berço, na cama, e nem no bebê-conforto, senão no colo materno.

Isto é o melhor durante o primeiro ano de vida; e nos dois primeiros anos de forma quase exclusiva (por isto a antiga famosa “quarentena” das recém paridas). Depois, os colos de outros corpos de familiares podem ser substitutos por alguns momentos. O próprio desenvolvimento do bebê indica o fim do período simbiótico: quando se chega a determinados graus de desenvolvimento neuro-psico-motor e o bebê começa a sentar, depois a engatinhar e por fim a andar. Ou seja, pouco a pouco vai tornando-se autônomo e a desfazer este estado simbiótico.

A verdade é óbvia, simples e evidente.

O lactente toma o leite materno idôneo para seu sistema digestivo e além disso pode regular sua composição com a duração das mamadas, com a qual é criado no peito de sua mãe sem ter uma série de problemas infecciosos, alérgicos…

Quando chora e não se atende, chora com mais e mais desespero porque está sofrendo. Há psicólogos que asseguram que quando se deixa de atender o choro de um bebê depois de três minutos, algo profundo se quebra na integridade deles, assim como na confiança em seu entorno.

Os pais, ainda que sejam educados na crença de que “é normal que os bebês chorem” e que “há que deixá-los chorar para que se acostumem”, e por isto estamos especialmente insensibilizados para que seu pranto não nos afete, as vezes não somos capazes de tolera-lo. Como é natural, se estamos um pouco perto deles, sentimos seu desespero e o sentimos com nosso sofrimento. Revolvem nossas entranhas e não podemos consentir com a sua dor. Não estamos de todo deshumanizados. Por isto os métodos condutistas propõem ir pouco a pouco, para cada dia agüentar um pouquinho mais este sofrimento mútuo. Isto tem um nome comum, que é a “administração da tortura”, pois é uma verdadeiro suplício que infligimos aos bebês quando fazemos isto, e também a nós mesmos, por mais que estas sejam normas de alguns pedagogos e pediatras.

Vários pesquisadores americanos e canadenses (biólogos, neurologistas, psiquiatras, etc.), na década de 90, realizaram diferentes investigações de grande importância em relação a etapa primal da vida humana; demonstraram que o contato pele a pele, do bebê com sua mãe e demais familiares mais chegados, produz moduladores químicos necessários para a formação de neurônios e do sistema imunológico; emfim, que a carência de afeto corporal transtorna o desenvolvimento normal das criaturas humanas. Por isto os bebês, quando os deixamos dormir sozinhos em seus berços, choram reclamando o que por sua natureza lhes pertence.

No Ocidente se criou, nos últimos 50 anos, uma cultura e uns hábitos, impulsionados pelas multinacionais, que eliminam este corpo-a-corpo da mãe com a criança e deshumaniza o cuidado: ao substituir a pele pelo plástico e o leite materno por um leite artificial, se separa mais e mais a criatura de sua mãe. Inclusive se fabricam modelos de “walkyes talkys” (babás eletrônicas) especiais para escutar o bebê de habitações distantes das dos pais. O desenvolvimento industrial e tecnológico não se coloca a serviço das nossas crias, chegando a robotização das funções maternas a extremos inimagináveis.

Simultaneamente a esta “puericultura moderna”, se medicaliza cada vez mais a maternidade; o que tenderia a ser uma etapa prazerosa de nossa vida sexual, se converte em uma penosa enfermidade. Entregues aos protocolos médicos, as mulheres adormecem a sensibilidade e o contato com seus corpos, e se perde uma parte de sua sexualidade: o prazer da gestação, do parto e da extero-gestação – o colo e a amamentação. Paralelamente, as mulheres decidiram pelo mundo do trabalho e profissional masculino, feito pelos homens e para os homens, e que, portanto, exclui a maternidade; por isto a maternidade na sociedade industrializada ficou encerrada no âmbito do doméstico e do privado. Contudo, durante milênios, a mulher realizou suas tarefas e suas atividades com seus filhos pendurados a seus corpos, como todavia ocorre nas sociedades ainda não ocidentalizadas. A imagem da mulher com seus filhos deve voltar aos cenários públicos, aos locais de trabalho, sob pena de comprometer o futuro do desenvolvimento humano.

A curto prazo, parece que o modelo de criação robotizado não é daninho, que não é nada demais, que as crianças sobreviverão; porém, pesquisadores como Dr. Michel Odent (1999 – .primal-health.org), apoiando-se em diversos estudos epidemiológicos, têm demonstrado a relação direta entre diferentes aspectos desta robotização e doenças na idade adulta. Por outro lado, a violência crescente em todos os âmbitos, tanto públicos, como privados, como tem demonstrado a psicóloga suiço-alemã Alice Miller (1980) e o neurofisiólogo americano James W. Prescott (1975), por citar somente dois nomes, também procede do mau trato e da falta de prazer corporal na primeira etapa da vida humana. Também há estudos que demonstram a correlação entre a dependência às drogas e os transtornos mentais com agressões e abandonos sofridos na etapa primal. Por isto os bebês choram quando sentem falta do que lhes tiraram; eles sabem o que necessitam, o que lhes corresponderia neste momento de suas vidas.

Deveríamos sentir um profundo respeito e reconhecimento ao choro dos bebês, e pensar humildemente que não choram porque sim, ou muito menos, porque são “manhosos”… Elas e eles nos ensinam o que estamos fazendo de incorreto.

Também deveríamos reconhecer o que sentimos em nossas entranhas quando um bebê chora; porque podem confundir a mente, porém é mais difícil confundir a percepção visceral – nossos instintos. O local do bebê é o nosso colo: nesta questão, o bebê e nossos instintos estão de acordo, e ambos tem suas razões.

Não é certo que dormir com os nossos filhos (“co-lecho”) seja um fator de risco para o fenômeno conhecido como Síndrome da Morte Súbita. Segundo The Foundation for the Study of Infant Deaths, a maioria dos falecimentos por “morte súbita” se produz quando os lactentes estão no seu berço. Estatisticamente, portanto, é mais seguro para o bebê dormir na cama com seus pais que dormirem sozinhos (Angel Alvarez – .primal.es).

Por tudo que expomos, queremos expressar nossa grande preocupação com a difusão do método proposto pelo neurólogo E. Estivill em seu livro Duérmete Niño ou na edição em português: NANA NENÊ (baseado por sua vez no método Ferber divulgado nos EUA), para fomentar e exercitar a tolerância dos pais ao choro de seus bebês; se trata de um condutismo especialmente radical e evidentemente nocivo, tendo em conta que o bebê está ainda em uma etapa de formação. Não é um método para tratar os transtornos do sono, como se apresenta, senão para submeter a vida humana em sua mais tenra idade. As gravíssimas conseqüências deste método têm começado a aparecer.

Necessitamos de uma cultura e uma ciência para uma educação de nossos filhos que seja compatível com a natureza humana, porque não somos robôs, senão mamíferos, que sentimos e sofremos quando nos falta o contato físico com aqueles que amamos. Para contribuir com este movimento, para que teu filho ou tua filha deixe de sofrer já, e se sentes mal quando escutas chorar o seu bebê, atenda-o, pegue-o em seus braços para entender o que ele está solicitando; possivelmente seja só isto o que ele queira e necessita, o contato com o seu corpo. Não o negues.

Quando um recém nascido aprende em um berçario que é inútil gritar, está sofrendo sua primeira experiência de submissão e abandono. (Michel Odent)

Para mais informações, podes consultar os livros:

  • Nuestros hijos y nosotros, Small, M.F. Ed. VergaraVitae (Buenos Aires)
  • Bésame mucho, Carlos González, Ed. Temas de Hoy
  • En busca del bienestar perdido (el concepto del continuum), Jean Liedloff, Ed. Obstare
  • El bebé es un mamífero, Michel Odent, Ed. Mandala

e também os sites:

Fonte: Aleitamento.com

Veja também:

15 comentários

  1. Patricia disse:

    Não costumo deixar meu pequeno Lorenzo (10 meses) chorar sem atendê-lo.
    Desde os primeiros meses de vida foi assim, sempre que ele chora, de madrugada ou durante o dia, estou pronta a socorrê-lo.
    Ele não tem culpa da correria do nosso dia-a-dia e por isso não pode sofrer as consequências daí advindas.
    Amo meu filho e deixá-lo sofrendo, precisando de mim, jamais!!

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  2. Boa tarde.
    Sou psicólogo e tenho projeto de atendimento a casais grávidos onde ofereço orientação psicológica com base na teoria do amadurecimento de Donal Wood Winnicott, onde enfatizo a necessidade da mãe (ambiente) se adapataremàs necessidades do bebê de forma absoluta nos primeiros meses de vida, de forma que o bebê se sinta acolhido e que inicie seu processo de construção da subjetividade de forma saudável. A mãe suficientemente bos irá se adaptar às necessidades do bebê durante todo o período de dependência absoluta do mesmo.

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  3. Milka disse:

    Concordo com o texto, nao deixo minha filha de 2 meses chorando. A sociedade moderna nos cobra o contrario. Fico indignada quando parentes contestam essa minha postura, querendo me ensinar a deixa-la chorar…. ahrrrr
    Sim ao colinho!!!!

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  4. Amanda disse:

    Boa tarde

    Tenho uma filha de 6 anos e um filho de 1 mês concordo com o texto nunca deixei meus filhos chorando. Meus parentes falam que é manha pois eu acho que o choro é a forma de o bebe dizer o que quer ou o que esta sentindo. Pois ao primeiro resmungo já dou colo.

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  5. Cristina disse:

    Estou passando por uma crise conjugal por seguir meus instintos, corroborados por essa reportagem!
    Me senti reconfortada!

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  6. Daniela disse:

    Tenho um bebe de um mes e meio. Ele chora muito e só fica bem no colo. Minhas costas já doem muito, mas não consigo deixá-lo chorar sozinho. É tão simples resolver esse problema, por que dexá-lo sofrer?
    Acredito que quando ficar maiorzinho, se Deus quiser vou ter a recompensa de um filho mais seguro e apegado a mim.
    Gostei bastante do texto e dos comentários.

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  7. tenho um filhote de 1 ano e 10 meses que acordou muito até os 11 meses. Também entrei em crise no casamento por marido querer deixar chorando e eu não ceder.

    Hoje em dia meu filhote adormece sozinho, num quarto escurinho e dorme direto das 20h as 7h e acorda tagarelando.

    Não usa mais mamadeira também.

    Como consegui isso? escutando o meu filhote, acolhendo-o sempre que chamada.

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  8. Eliane disse:

    Achei este site por causa de minha neta que ultimamente chora muito se sair do colo do pai (meu filho) ou da mãe. parece que ela está insegura e este texto caiu muito bem e encaminhei para eles pois vejo que também estão sempre ouvindo e dizendo “é manha”. Concordo com tudo pois ela tem apenas 1 ano e não sabe falar o que precisa e com certeza algo não está bem e espero que eles sigam este caminho afinal, bebês são anjinhos e merecem todo cuidado e carinho.
    Obrigada.

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  9. simone disse:

    Sou mae solteira, psicologa e doutoranda… estava quase surtando qdo meu filho de 11 meses acordava 5 vezes por noite por nada. segui a tecnica do Nana nenem e apos os 1ºs dias dormindo a noite inteira eu era uma mae muito mais BEM-HUMORADA e dispopnivel do que antes. Ele tbm passou a ser bem mais calmo, já que vinha apresentando um bruxismo acordado, de tanta noite mal dormida acumulada. Entao, sinceramente, acho que nem tanto nem tampouco. As necessidades dos bebes devem ser atendidas, mas nao se deve confundir com abuso. A saude mental da mae e tao importante quanto a do bebe. Descullpe, mas tanto uma teoria quanta a outra, se muito radical, soa mal.

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  10. Angela disse:

    Acabei de ler o livro Nana Neném, e em seguida encontrei esse texto na internet. Acredito que com o bebe nao podemos ser radicais e devemos encontrar o meio termo. O livro me ajudou muito mas nao deixo meu bebe chorando sem conforta-lo.
    Minha cunhada que meu deu este livro, e ela, na minha opiniao, levou muito ao pé da letra o que o livro diz e deixava meu sobrinho chorando no berço e nao deixava ninguem pegar, um crime!
    Minha outra cunhada tambem nao pegava seu bebe no colo desde suas primeiras horas de vida, resultado: o bebe nao quis ”pegar” o peito, que na minha opiniao a razao foi obvia, falta de contato com a mae. Minha opiniao é PEGUE NO COLO

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  11. marcia disse:

    concordo plenamente com o colinho da mamãe, porque acho que toda a atenção o carinho faz muito bem para seu psicologico. fico doente quando parentes metem o dedo, dizendo que a gente não esta sabendo educar etc…mais vão ver seus filhos como são,em vez de dar apoio so criticam…bebes não são adulto que precisam de regras.

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  12. simoni disse:

    “”"”muito bom….”"”mamae e tudo que eles tem,para acolhe-lo vamos dar muito amor,atencao e colinho tambem….

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  13. Olá a todos…
    Tenho 39 anos e uma bébé de 6meses adora atenção e um colinho, tem dificuldades em dormir principalmente de dia, luta contra o sono, e as vezes até depois do banho a noite custa a dormir, esta no colo esta bem, a ponho no berço começa a chorar ja a deixei algumas vezes a chorar, mas foi pior para mim, não pretendo deixa la novamente é horrivel, pretendo vence la com carinho, atenção e mimos…
    Um jinhu a todos…
    E parabéns por este blog, amei!!!

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  14. Silvia disse:

    Nosso primeiro filho que agora tem 4 anos sempre dormiu bem desde a primeira semana de vida. Raras exceções quando estava doente com febre ou tosse é que acordava no meio da noite. O segundo já está com 1 ano e 3 meses e acho que dormiu a noite inteira cerca de 3 vezes até hoje. Tentamos repetir a mesma rotina do primeiro filho, ambos pude amamentar até quase 6 meses, mantivemos horários de alimentação, banho e mesmo horário para dormir, cada um no seu quarto mas com o segundo, nada funciona. Ou seja, cada indivíduo pode ser diferente. Tento lidar com paciência mas confesso que as vezes perdemos o humor, mas não com ele. Meu marido já sugeriu aplicar a técnica de deixá-lo chorar mais tempo mas não consegui aplicar, ainda. Vamos ver daqui para frente, mas acredito que teremos que tentar outras estratégias neste caso.

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