Nunca é Tarde Demais

por Flávia Penido em 01/02/2011

Um dia qualquer, aparece um mestre, um livro, um amigo ou um pensamento que muda o curso de nossas arraigadas crenças. Dentro desta virada pessoal, o que fizemos com nossos filhos não nos agrada. Hoje não faríamos o mesmo. Nós mudamos. Mas o que não podemos mudar é o passado.

Pois bem, chegou o momento de reconhecer que já não cabe em nosso ser interior uma modalidade antiga, baseada no preconceito ou no medo. Talvez fôssemos exigentes demais com nossas crianças, crendo que fazíamos o correto, mas o fato é que estávamos distantes de nossos sentimentos amorosos. Quem sabe nós tenhamos maltratado-lhes sutilmente. Nós mentimos para eles e hoje são um pouco desconfiados, nós não somos de confiança para eles. Nós desprezamos e subestimamos seus sentimentos. Exigimos obediência e nos responderam com rebeldia. Fizemos ouvidos surdos às suas reclamações e agora eles já não nos escutam.

Os anos passaram e queríamos rebobinar a vida, como num filme, para fazer as coisas de outro modo. Pois bem, há, sim,  algo que é possível se fazer hoje: nós nos darmos conta. E uma vez que tenhamos feito isto, falar sobre isso com nossos filhos. Mesmo se eles tiverem dois anos, ou cinco, ou quatorze, vinte e seis, quarenta ou sessenta anos. Pouco importa. Nunca é tarde. Sempre é o momento adequado, quando humildemente geramos uma aproximação afetiva para falar de alguma descoberta pessoal, de uma ânsia, um desejo ou de novas intenções. Para uma criança pequena, é alentador escutar a  mãe ou o pai a pedir-lhe desculpas, comprometendo-se a oferecer maior cuidado e atenção. Para um adolescente, é uma extraordinária oportunidade falar com algum de seus pais em intimidade respeitosa, nunca antes estabelecida entre eles. Para um filho ou filha adultos, é uma porta aberta para formular-se perguntas pessoais. Para um filho maduro, é tempo de conforto e de profunda compreensão dos ciclos vitais.

Qualquer instante pode ser a ocasião perfeita para compartilhar a mudança que alguém decidiu assumir. Não há lição mais virtuosa que compartilhar com os filhos o “dar-se conta” e a intenção, a firme intenção, de se tornar, a cada dia, uma pessoa melhor. Definitivamente, para um filho, é extraordinário encontrar-se com a simples e suave humanidade dos pais que procuram seu destino a cada dia.

Texto original de Laura Gutman: Nunca es tarde

Tradução livre feita por Flavia Penido
Revisado por Amano Bela

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Um comentário

  1. Jana disse:

    Que gostoso ler e ver essa energia de evolução sempre rondando… saudade!
    bjs

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