Por uma maternidade mais consciente

por Josie Zecchinelli em 16/01/2008

Há alguns anos fiz uma formação em Renascimento e Terapias Integradas de Respiração. Nela, estudamos os padrões de comportamento vinculados à forma como a pessoa nasceu. Nunca havia lido sobre isso em qualquer outro lugar, em qualquer livro da área de psicologia. Quando li, fez muito sentido pra mim. Foi desde então que comecei a descobrir que o nascimento é muito mais do que apenas vir ao mundo, é a base de muitas coisas na vida de um ser humano. Aliás, pesquisas recentes mostram que ser realmente um ser humano está muito mais relacionado a este periodo da vida do que imaginávamos.

bebe sorrindo

A formação do ser humano

Na faculdade, durante a disciplina de antropologia, aprendemos sobre a evolução do ser humano até chegar ao ser pensante, racional, tal qual o conhecemos hoje, o homo sapiens. O Homo sapiens é um animal mamífero, com o diferencial de ter a habilidade racional desenvolvida, possibilitada pela existência do córtex cerebral. Penso, logo, existo, certo? Não exatamente. Foram longas discussões nas aulas de antropologia acerca do tema. O que faz do ser humano realmente humano? Não é apenas a razão, é todo um conjunto formado por razão, emoções, a habilidade de comunicação e o corpo físico característico da espécie.

Existem filmes e documentários sobre seres humanos que foram abandonados em florestas quando bebês e sobreviveram e se desenvolveram porque foram cuidados por animais. É o caso dos meninos-lobo. Foram criados por uma família de lobos e seus comportamentos são tais quais os de um lobo. Eles não desenvolveram as habilidades comuns a um ser humano que cresce em meio à qualquer sociedade civilizada, sua linguagem, seu comportamento, forma de andar sobre quatro apoios é exatamente como a dos lobos . Existem divresas pesquisas atuais que mostram que se um bebê não receber qualquer tipo de contato com outro ser humano ou mamífero, ele não sobrevive. Pesquisas feitas com ratos mostraram que se o filhote recém –nascido for deixado sem a mãe, sob a presença de um boneco cheio de espinhos, ele sobreviverá,mesmo se machucando ao se aproximar da “mãe”, enquanto que outro que for deixado completamente sozinho, sem qualquer tipo de contato corporal, não sobrevive. Entretanto, o que sobrevive com uma falsa “mãe” de espinhos, ficou com severos danos em uma série de habilidades, não se desenvolveu plenamente. Com o ser humano também é assim. Nenhuma pesquisa pode ser feita com bebês humanos neste sentido, mas ao longo da história há notícias , vez em quando, de casos semlehantes, que mostram que o contato é essencial para a sobrevivência do ser humano.  Precisamos de contato, pele a pele, desde o nascimento.  A qualidade do contato afetará o tipo de ser humano que nos tornaremos. Isso nos remete à questão que nos trouxe até aqui: a qualidade do contato entre pais e filhos e o que esse contato proporcioanará à formação do indivíduo, em seu caráter e em sua humanidade. Pensar nessa questão é o primeiro passo para se pensar em uma maternidade mais consciente e mais amorosa. Neste site, falaremos sobre diversas questões importantes a respeito desses temas e tantos outros, essenciais para que haja uma melhoria da qualidade de vida das gerações atuais e futuras. Melhoria no contato não apenas entre mãe e filhos, pais e filhos, mas entre seres humanos, pois essa melhoria se reflete em todos os campos das relações. Para que haja essa melhoria,para prevenir as disfunções causados por essa falta de contato que nos cerca, é preciso ampliar a consciência, acordar os sentidos, e essa é a proposta de nosso trabalho.

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