Reflexões sobre a dificuldade de emagrecer no pós-parto

por Josie Zecchinelli em 03/02/2010

peso emocional

Vejo o quanto é freqüente a queixa sobre a dificuldade de perder peso após a gestação e, mais ainda, a ansiedade em querer voltar logo ao corpo anterior à gravidez. Como psicoterapeuta corporal, decidi compartilhar algumas reflexões sobre estas questões que podem auxiliar às mães ansiosas por soluções . O trabalho físico e a alimentação são componentes essenciais para a perda de peso, mas o fator emocional pode ser algo determinante para o sucesso do trabalho. Se houver uma integração entre todos estes elementos, as possibilidades de um resultado mais duradouro se ampliam.

No campo da psicologia corporal, estudamos a íntima relação entre psiquismo, emoções e corpo. As posturas e formas que adotamos corporalmente estão intimamente relacionadas à nossa percepção do mundo, à forma como nos sentimos em relação à vida e a como nos organizamos psiquicamente. Nossa personalidade não é apenas mental, ela também é corporal. Quando falamos de maternidade, falamos de um momento sábio da natureza, em que há uma modificação fisiológica, e, conseqüentemente, psíquica. Se o corpo da gestante está sendo alterado em sua organização e forma, isso também afeta sua personalidade. Os hormônios liberados durante a gestação também colaboram para que a estrutura psíquica esteja alterada. Ao mesmo tempo em que podem aflorar questões emocionais, conteúdos inconscientes podem ficar mais acessíveis para a consciência, também há uma capacidade de resolução diferenciada, se a mulher estiver conectada com seu corpo e sua sensibilidade (eis a sabedoria da natureza em ação). Se a mulher não conseguir lidar com as questões que surgem durante a gestação, o que aflorou pode continuar presente em seu universo emocional e afetar o parto e o pós-parto – esse acúmulo de informações emocionais não resolvidas pode se tornar uma bola de neve, trazendo dificuldades nas vivências relativas a esses períodos.

Diversas terapias podem auxiliar a mulher a ter consciência dos padrões comportamentais/emocionais que estão afetando o corpo. Recentemente saiu um artigo no site IG sobre um psiquiatra francês chamado Stéphane Clerget, que escreveu um livro sobre a relação entre o peso corporal e as emoções (relação considerada e pesquisada há muitos anos pela Psicologia Corporal). A tradução do título do livro para o português é “Os Quilos emocionais – como se liberar sem regime, nem medicamentos”, e a proposta é exatamente essa:  buscar as bases emocionais que afetam o corpo e a relação que se cria com a comida. O autor diz que cerca de 90% das pessoas que fazem uma dieta para emagrecer, ao final de cinco anos, retorna ao seu peso original ou maior do que tinham. A investigação dos impulsos inconscientes ou conscientes que nos levam a comer mais, a ganhar peso ou a uma dificuldade em perder peso, independente do quanto se come, pode trazer resultados mais eficientes e duradouros para as mulheres no pós-parto. Há uma questão a ressalvar: para que qualquer processo terapêutico funcione, é preciso que o indivíduo queira assumir o compromisso consigo mesmo e a responsabilidade pela mudança. Muitos de nós ainda queremos que alguém resolva nosso problema instantaneamente, queremos encontrar um remédio que nos faça emagrecer sem esforço, queremos que alguém nos faça emagrecer, o que dificulta ainda mais a situação. Além disso, pode levar um certo tempo para resolver questões emocionais, que varia de pessoa para pessoa. No entanto, os resultados vão além de apenas emagrecer. Quando buscamos o auto-conhecimento, quando resolvemos questões emocionais profundas, isso afeta nossas vidas também profundamente, podemos literalmente mudar nossas vidas em muitos aspectos, além do corpo. Isso é algo mágico, mas também mexe com muitos medos, dos quais muitas vezes não temos consciência e nem sempre queremos enfrentar.

Mudar não é fácil, é mais fácil continuar no mesmo lugar, no que já conhecemos, do que lidar com o desconhecido, o novo. Portanto, observe bem o que acontece com o seu corpo, suas emoções neste momento e veja se realmente está disposta a buscar ajuda. Se pergunte “Porque não consigo emagrecer?”, “Como eu me mantenho nesse estado?”, “Como me beneficio com esta situação?”, e faça uma profunda avaliação de como você tem agido para se manter nesta forma, talvez as primeiras pistas do que está por trás do seu ganho de peso comecem a aparecer. Além disso, faça uma investigação de si mesma, de sua história desde que começou a ganhar peso, de como andam suas emoções desde então, de como é a sua relação com a comida e com seu corpo, dos pensamentos que passam por sua cabeça quando olha para a comida e quando olha para si mesma, além da investigação sobre os possíveis traumas a que você possa ter sido submetida recentemente. E saiba que muitas vezes só mudamos com ajuda, pois assumir a responsabilidade por si, por sua mudança, é mais fácil quando há uma testemunha, quando temos alguém ao nosso lado afirmando o compromisso que fizemos com nós mesmos. Sozinhos, tendemos a nos perder em nossos padrões e desculpas dos quais geralmente não temos consciência, nos tornamos vítimas de nós mesmas. Pense nisso.

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4 comentários

  1. mirian de oliveira da silva disse:

    tem razão o sentimental conta muita nesta fase,estou passando por um momento de muita decepção e meu filho nem completou um mês ainda,vou tentar me resolver com meus sentimentos para tentar mudar meu corpo minha alto estima nunca esteve tão baixa.obrigada pela orientação

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  2. dayane souza disse:

    muito bom os textos mas uma duvida .. e quando acontece o inverso ? oque fazer, eu estou nessa situação perdi peso, e nao consigo ganhar pelo menos os que eu perdi .

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  3. Carolina disse:

    Excelente texto! Motivador inclusive. Parabéns!

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  4. maida santana disse:

    gostei muito de ler este artigo porque me encontro nessa situação engordei 23kg na minha gravidez e consegui perder 13kg falta muito fico pensando e agora que comecei a reagir mais e uma batalha difícil de vencer pois não sai da mente que estamos horríveis…

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